CRENAVIDA - Comunidade de Recuperação Nova Vida
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  • A ABORDAGEM TERAPEUTICA
    A nossa orientação é de TERAPIA SOCIAL.
    Acreditamos que a personalidade é construída socialmente. As nossas práticas sociais cotidianas, mesmo aquelas aparentemente mais subjetivas, mais particulares, só podem ser entendidas em função de um quadro anterior. A sociedade, portanto constrói os comportamentos individuais, constrói o próprio indivíduo.
    Infelizmente percebemos que a nossa sociedade não esta realmente preocupada com os drogados mas sim o que eles podem fazer contra ele, a própria sociedade.
    Assim, aquele que não participa, não produz, cujo comportamento é diverso de esperado, psicológico e socialmente, deve ser internado ou preso. Daí a brutal estigmatização que sofre o dependente químico. O que nos deixa muitas vezes absorto é que essa mesma sociedade que os pune, é a mesma que os estimula ao uso das drogas por ser consumista, imediatista, preconceituosa, selvagem e cultuadora do Ter, do Prazer e do Poder. Temos que admitir que com tais atributos materialistas, fica difícil ao jovem, cheio de esperança e espiritualidade, sobreviver.
    Como pesquisadores do comportamento humano, imbuídos de uma abordagem de Terapia Social, cumpre-nos eliminar fantasmas que dissimulam a apreensão da realidade, enquanto objetos de estudos e pesquisas.
    Um dos nossos referenciais básicos é colocar num mesmo patamar de igualdade equipe técnica e internos, ao contrario de estabelecermos nosso trabalho curativo sob um sistema hierárquico imposto de cima. Com o poder de decisão abrangendo a todos, esperamos que o interno supere as próprias dificuldades e permita-se identificar como estas dificuldades estão presas a fatores sociais, a nível de resistência e impacto, com relação a uma sociedade que desconhece o homem e suas necessidades.
    Cabe a Comunidade Terapêutica CRENAVIDA a criação do principio de igualdade, como ação terapêutica de trabalho, onde cada personagem vai em busca de seu papel, vivendo e discutindo as contradições deste papel, em um campo seguro e democrático.
    A utilização desse principio facilita o renascer da responsabilidade individual e grupal. Tem por finalidade estimular a participação de toda a população comunitária nas atividades utilizadas, como técnica de afastarmos o processo de alienação da realidade pessoal do interno.
    O habito da discussão, da contestação e do questionamento, dentro de um clima terapêutico.

    Como falar aos jovens sobre drogas
    Nos dias de hoje, o adolescente recebe um bombardeio de informações através dos meios de comunicação, que o deixam inteirado de tudo o que se passa ao seu redor.
    Ao se falar em droga, certamente vamos despertar sua curiosidade, que deve ser utilizada para a formação de conceitos sadios e exatos sobre as drogas e as desvantagens de seu uso.
    Pais e professores, devem, através de orientação segura e sem nenhum alarme, criar a condição necessária para que o adolescente se torne refratário aos assédios de maus amigos e traficantes.
    É na adolescência, ou pré-adolescência, que se deve dar maior destaque a um programa de caráter educativo preventivo.
    Devemos observar que os traficantes, sabedores que nesta fase se consegue o viciado certo de amanhã, nos dias de hoje, estão levando para o mundo das drogas meninos e meninas de até 9 anos, portanto, o quanto antes iniciarmos nossa conscientização, não estaremos cometendo exagero algum.
    Como saber se um jovem usa drogas
    1 - Mudança brusca no comportamento;
    2 - Irritabilidade sem motivo aparente e explosões nervosas;
    3 - Inquietação motora. O jovem se apresenta impaciente, inquieto, irritado, agressivo e violento;
    4 - Depressões, estado de angústia sem motivo aparente;
    5 - Queda do aproveitamento escolar ou desistência dos estudos;
    6 - Insônia rebelde;
    7 - Isolamento. O jovem se recusa a sair de seu quarto, evitando contato com amigos e familiares;
    8 - Mudança de hábitos. O jovem passa a dormir de dia e ficar acordado à noite. Existência de comprimidos, seringas, cigarros estranhos, entre seus pertences;
    9 - Desaparecimento de objetos de valor, de dinheiro ou, ainda, incessantes pedidos de dinheiro. O jovem precisa, a cada dia mais, a fim de atender às exigências e exploração de traficantes, para aquisição de produtos que lhe determinaram a dependência;
    10 - Más companhias. Os que iniciaram no vício passam a fazer parte da vida do jovem.

    Tratamento X Recaída

    Existem varias formas de reconhecer uma situação que precede a recaída, e sintomas da sua chegada. Em um tratamento de laborterapia e tarefas semanais de auto-ajuda o reconhecimento fica mais fácil, porem la fora o adicto deve reconhecer as situações mais comuns, que envolvem a sua nova vida.
    Numa primeira fase o retorno a negação vem precedido de frustração e negação das evidencias. A frustração é o sintoma do cotidiano de todas as pessoas, porém para o *adicto é um perigo eminente, a pessoa fica assustada e ansiosa, assim acaba pensando que será impossível manter-se sem consumo, mas esta insegurança dura pouco.
    A segunda situação é a negação das evidencias, a pessoa sente angústia, mas pode ignorá-las ou nega-las como em outro momento negou a *adicção.

    Aqui vai uma lista de situações básicas:

    1. Pensamentos de “Nunca mais consumir”.
    2. Recusa de Ajuda.
    3. Preocupações com outros e não consigo mesmo.
    4. Insatisfação.
    5. Tendências de comportar-se na defensiva.
    6. Desvalorização e debilidade.
    7. Sonhar acordado e desejos impossíveis.
    8. Sentimento de que “Não há solução”.
    9. Desejos imaturos de felicidade.
    10. Mentiras conscientes.
    11. Períodos de confusão.
    12. Irritado com os outros.
    13. Facilidade para aborrecer-se.
    14. Hábitos de alimentação irregulares. .
    15. Apatia – falta de desejo de agir.
    16. Hábitos de sonos irregulares.
    17. Perda da estrutura diária.
    18. Períodos de depressão profunda.
    19. Visitas terapêuticas irregulares
    20. Perda completa de controle.
    21. Atitudes de “Não me preocupa”.
    22. Desvalorização e desesperança.
    23. Auto-compaixão.
    24. Pensamentos de consumo controlado.
    25. Perda da confiança.
    26. Ressentimento irracional.
    27. Perda do tratamento.
    28. Solidão, frustração, ira e tensão
    29. Perda de controle.
    30. Primeiro consumo.
    31. Culpabilidade e fracasso.

    Dentre outras também existem os motivos da recaída e causas gerais, como:

    1. A pessoa nunca aprendeu realmente as habilidades necessárias para se manter limpo.
    2. A pessoa não reconhece as situações de alto risco e reage demasiadamente tarde.
    3. Dificuldade para controlar a ansiedade ou qualquer estado emocional negativo, e em conseqüência, fica bloqueada a possibilidade de dar uma resposta adequada de controle.
    4. A pessoa espera que a droga ajude a aliviar, evitar ou melhorar a situação que está vivendo.

    Impulsos de consumo: (intensidade, duração, frequência.)

    1. É natural que haja este mal-estar quando ocorre este evento interno, que é o impulso de usar drogas. Também é natural que a pessoa tendo um mal-estar, lhe ocorra impulsos de usar drogas. “Mal-estar associado com o impulso de usar drogas é natural e passageiro.”
    2. Os desejos urgentes de drogas-impulsos, nem sempre facilitam as racionalizações e as auto-justificações permissivas de consumo.
    3. Em ocasiões, as consequencias deste impulso, são tomadas de decisões consideradas irrelevantes.



    Controle dos impulsos: (Estratégias)

    1. Recordar conseqüências positivas do não-consumo de drogas/álcool.
    2. Recordar conseqüências negativas do retorno ao consumo de drogas/álcool.
    3. Eliminar todas as situações de risco ou evitá-las.
    4. Efetuar alguma atividade incompatível com o uso de drogas/álccol.
    5. Ante estados de ânimo negativos (aborrecimentos, irritabilidade, enfado, ansiedade, angústia, depressão, solidão, culpa, vazio pessoal, falta de sentido para a vida), colocar em prática os recursos aprendidos.
    6. Partilhar – verbalizar a urgência de consumo e pedir ajuda.

    Como prevenir recaídas: (Conselhos)

    1. Resolver imediatamente todos os problemas ou estados de ânimo negativos, tão logo apareçam.
    2. Conseguir equilíbrio em sua rotina diária. Um equilíbrio entre trabalho e atividades gratas (lazer).
    3. Obter apoio e confiança da família e amigos sobre sua recuperação, que eles compreenderão os momentos difíceis, e poderão te ajudar a identificar sintomas de recaída ou sinais de alarme se aparecerem.
    4. Identificar situações de alto risco. Planejar ensaiar estratégias para tratar essas situações, para que se sinta seguro que sabe manejá-las. Planejar uma atividade agradável para realizar imediatamente depois da situação de alto risco, para preencher á normalidade.

    “A prática de encenar situações de risco mediante role-playng, ou ensaio de situações de risco escondidas são úteis.”

    *Escravo (no caso das drogas)
    Capela
    Casa Leo